MARIOLATRIA







MARIOLATRIA

Introdução
I.    O Que é Mariolatria?
II.  As Glórias de Maria.
III. Maria na Liturgia do Catolicismo.
IV. Outras Tentativas de Divinizar Maria.
Conclusão

TEMA:
A Verdade sobre Maria Mãe de Deus.
Introdução
No Nordeste brasileiro, onde a tradição católica é mais forte, os evangélicos são constantemente  acusados de não gostarem da mãe de Jesus. É evidente que essa acusação é improcedente, o oposto dela é a verdade, pois os evangélicos são os que realmente dão à mãe do Salvador o lugar que a ela é atribuído pelas Escrituras.

O que nós não podemos aceitar é que, fora do terreno bíblico, alguém se invista de autoridade para contradizer o ensino canônico da Bíblia Sagrada, mesmo que esse alguém seja uma reconhecida autoridade eclesiástica, como o foi Irineu, Agostinho ou mesmo um gênio do pensamento ocidental  como Tomás de Aquino. Precisamos distinguir o bíblico do não bíblico, separar o joio do trigo. 
1. O Espírito Santo e Maria – Contradições na teologia romanista.
O cardeal belga Leon Joseph Suenens está consciente da grande dificuldade em reconciliar católicos romanos e protestantes. A maior dificuldade, segundo ele, gira justamente em torno do culto a Maria. Para os católicos romanos, esse culto já se tornou um dogma, enquanto os protestantes sabem que não passa de uma forma de paganismo, uma vez que não tem fundamentação bíblica.
Em um de seus livros, Suenens escreveu um capítulo que intitulou de O Espírito Santo e Maria. Nele, procura com muita perspicácia tornar bíblico o marianismo. Suenens, que era um “ecumenista” fervoroso, demonstrava conhecer o espírito antimariólatra reinante no protestantismo: 
Para que se veja melhor o lugar de Maria no seio da renovação pneumatológica, devemos tomar consciência daquilo que influenciou desfavoravelmente os nossos irmãos protestantes em relação a Maria. Para muitos deles, a posição católica parecia desconhecer a função do Espírito Santo e, por conseguinte, a única mediação de Cristo. Não há dúvida de que a sua hesitação tem ainda outras fontes como certos exageros de teologia ou de piedade popular ao verem que se atribui a Maria aquilo que, a seus olhos, depende do Espírito Santo (...) não estão longe de julgar que colocamos Maria quase no lugar do Espírito Santo, e isso entrava o diálogo ecumênico sobre este ponto, bloqueando o caminho para a unidade. [1]  
É a partir desse ponto que Suenens se propõe a revelar uma teologia mariana, que seria a grande síntese daquilo que dizem os católicos romanos com aquilo que crêem os protestantes. Em palavras mais simples, uma teologia mariana que agradaria a gregos e a troianos.
Quero frisar algumas das frases ditas por Suenens, com relação ao posicionamento dos protestantes com respeito à teologia católica, todavia corrigindo alguns termos usados pelo líder carismático:
1) Desconhecimento da Função do Espírito Santo. A posição católica romana não parece desconhecer, mas de fato desconhece a função do Espírito Santo. Isto é revelado nas palavras dos seus próprios teólogos. O padre carismático S. Falvo diz em um de seus livros que “será Maria quem revelará Jesus nas páginas de seu livro”. [2] Ele atribui à mãe do Salvador o papel de agente da revelação. Ao afirmar nas páginas de seu livro, que Maria seria quem revelaria Jesus, ele colocou sobre a mãe do Salvador uma função que ela nunca reivindicou para si, e que é uma das atribuições do Espírito Santo: “Quando, porém, vier o Consolador (o Espírito Santo), que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim” (Jo 15.26). Em outro texto as Escrituras afirmam: “Quando porém vier o Espírito da Verdade, Ele vos guiará a toda a verdade; por que não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas que hão de vir. Ele me glorificará porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar” (Jo 16.13-14). Paulo tinha plena consciência de que a fonte da revelação estava no Espírito Santo: “Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus” (1 Co 2.10).  
Estes textos não deixam dúvidas que o agente da revelação, e quem, portanto, revela Jesus, é o Espírito Santo. 
2) Mediação de Cristo. A posição católica romana não parece desconhecer, mas de fato desconhece a única mediação de Cristo. Em uma recente reportagem intitulada Maria está no meio de nós, datada de 25/7/2001, a revista Istoé mostra o esforço que a Renovação Católica Carismática vem mantendo no sentido de tornar dogma a crença romanista que diz ser Maria “co-redentora, mediadora de todas as graças e advogada do povo de Deus”. [3]
Ao falar da “poderosa intercessão (de Maria) a favor de todos os filhos seus”, o também carismático padre Salvador Carrillo Alday [4] atropela o texto bíblico de 1 Timóteo 2.5: “Porquanto há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem”. 
3) O culto mariólatra não é apenas das massas. Não é somente no catolicismo romano popular (das massas) que se atribui a Maria o papel que é devido somente à Trindade. Tanto Agostinho, quanto Tomás de Aquino e Antônio Vieira, e mais recentemente muitos carismáticos, fizeram uma verdadeira apologia ao culto mariano. O culto à pessoa de Maria é generalizado e não somente entre os mais incultos. O padre Antônio Vieira, um dos sacerdotes mais cultos do catolicismo romano, faz um resgate histórico das palavras de vários pensadores, a fim de dar interpretação do que significa “o nome Maria para a igreja de Roma”:  
      Letra M – “Mãe de Deus digna do digno, formosa do formoso, pura do incorrupto. M, Maria que desceu do Céu, e com um manjar mais suave que o mel sustenta a todo o mundo. M, Mão direita de Cristo, a qual Ele estende para levantar a sua graça a todos  os caídos. M, Mar Vermelho, que afogou o místico Faraó, isto é, o Demônio.  M, Mediadora para o mediador, que é Cristo para com o Padre, e Maria com Cristo. M, Milagre dos milagres, e o maior de todos os milagres”.
      Letra A – “Árvore da vida, que só foi digna de dar o fruto da saúde eterna. A, Adjutório do Altíssimo, por que Maria ajudou e ajuda a Cristo a salvar  o gênero humano. A, Arca do Testamento, na qual estiveram encerrados todos os mistérios arcanos da divindade. A, Alabastro do ungüento de nossa santificação. A, Aula da universal propiciação, em que se concedem os perdões a todos os pecadores”. 
      Letra R – “Rainha, cujo reino fundado na Terra, e consumado no Céu, é de potência inexpugnável. R, Razão única e total de todas nossas esperanças. R, Raiz não só da glória, mas de todos os bens ainda desta vida. R, Recreação e alívio potentíssimo de todos os afligidos. R, Reparadora das ruínas de Eva, que assim como por ela entrou no mundo a morte, por Maria se restituísse a vida. R, Rosa do paraíso do Céu”.
      Letra I – “Idéia digna da divindade. I, Íris, sinal de paz e clemência; porque pondo Deus os olhos em Maria, como prometeu do antigo arco celeste, desiste dos castigos que merecem os pecados do mundo. I, Inventora magnífica da graça. I, Intercessora imperial que não rogando como serva, mas mandando como Senhora, impetra do Tribunal Divino quanto procura. I, Ímã, ou magnete eficacíssima, a qual, como aquela pedra atrai o ferro, assim Maria atrai e traz a Deus os duros corações dos pecadores”.
      Letra A – Neste ponto, comenta Vieira: “Só nos resta a última letra, que é o segundo A, e posto que do primeiro dissemos tão excelentes prerrogativas, ainda são maiores as que agora ouvireis: A, Arca de Noé. A, Antídoto da vida contra o veneno de Eva. A, Âncora firmíssima de todas as nossas esperanças no mar tempestuoso deste mundo. A, Atlante do Céu e da Terra, os quais já se tiveram arruinado, se Maria com o poder de sua intercessão os não sustentara. A, Agregado de todas as graças em si mesma, e para conosco.” [5] Depois de tudo isso, será que a mariolatria é própria apenas do “povão”?
4) O catolicismo substitui o Espírito por Maria. O catolicismo romano não coloca Maria quase no lugar do Espírito Santo, mas no lugar mesmo. No seu livro Aprendendo a dizer sim com Maria, o padre carismático Marcelo Rossi diz: 
Aqui veremos o que fazer para ter contato maior com nossa mãe, que, em todos os momentos, por sua intercessão, nos guarda em seu coração e nos conduz à santidade. [6]
Além de atribuir o papel de intercessora a Maria, função esta que é exclusivamente de Cristo, como já vimos, Rossi também atribui à mãe do Salvador a função de  santificadora, que, segundo as Escrituras, é uma das funções do Espírito Santo: “Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade” (1 Ts 2.13). “Eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas” (1 Pe 1.2). Estes textos bíblicos não deixam dúvidas de que a santificação é uma obra do Espírito Santo. 
Observamos, pois, que aquilo que o catolicismo romano diz acerca da mãe de Jesus não tem fundamentação bíblica. Vejamos agora o que as Escrituras dizem sobre ela.
2. O que diz a Bíblia sobre Maria?
1) Era da linhagem de Davi (Lc 3); 

2) Era uma virgem por ocasião da visita do anjo: “...a uma virgem desposada com um varão cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria” (Lc 1.27);
3) Foi agraciada por Deus ao ser escolhida para ser a mãe do Salvador: “Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus” (Lc 1.30);
4) Concebeu do Espírito Santo: “E, projetando ele isso, eis que, em sonho, lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo” (Mt 1.20).
5) Foi a mãe de Cristo Jesus: “...e Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo” (Mt 1.16). 
6) Teve outros filhos além de Jesus: “Não é este o filho do carpinteiro? E não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas?” (Mt 13.55; Mc 6.3). “Depois disso, desceu a Cafarnaum, ele e sua mãe, e seus irmãos, e seus discípulos, e ficaram ali não muitos dias” (Jo 2.12).
7) Servia a Deus: “Disse, então, Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela” (Lc 1.38).
8) Era devota ao Senhor: “Disse, então, Maria: A minha alma engrandece ao Senhor” (Lc 1.46).
9) Necessitou de um Salvador: “E disse Maria: a minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus meu Salvador” (Lc 1.46-47).
10) Era feliz pelas coisas que Jesus realizava: “José e Maria se maravilharam das coisas que dele se diziam” (Lc 2.33).
11) Mandou fazer tudo o que Jesus dissesse: “Sua mãe disse aos empregados: Fazei tudo quanto ele vos disser” (Jo 2.5). 
12) Estava presente por ocasião da crucificação de Jesus. “E junto à cruz de Jesus estava sua mãe, e a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena” (Jo 19.25).
13) Ficou aos cuidados de João após a morte e ressurreição de Jesus: “Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa” (Jo 19.27).
14) Estava reunida com os apóstolos por ocasião da descida do Espírito Santo no Dia de Pentecostes: “Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com seus irmãos” (At 1.14).
Estes são textos bíblicos sobre Maria, a mãe de Jesus Cristo. Em nenhum deles encontramos ela reivindicando ser a medianeira, a co-redentora, ou mesmo buscando ser venerada. Aliás, em nenhum texto das Escrituras encontramos os apóstolos e os crentes da Igreja Primitiva defendendo esse ensino.
3. Dogmas equivocados
O dogma da perpétua virgindade de Maria afirma que a mãe de Jesus manteve sua virgindade mesmo depois do parto. No terreno bíblico não há nenhum elemento que nos permita afirmar que Maria manteve-se sempre virgem. Saindo da Bíblia, existe apenas a literatura apócrifa que defende essa idéia. Elas afirmam que, mesmo depois do parto, a mãe de Jesus permaneceu virgem. Esse ensino é posteriormente defendido por Agostinho e Tomás de Aquino.
Fora da visão bíblica, a idéia comum era associar sexo com pecado. Assim sendo, Maria, após ter gerado Jesus, Jamais poderia ter contato sexual com homem algum, mesmo que esse homem fosse José, seu marido. Mantendo-se virgem mesmo depois do parto, Maria também não poderia ter gerado outros filhos. 
3.1. Agostinho.
É interessante observarmos como Agostinho (354–430 d.C.), um dos mais famosos Pais da Igreja, distorce a interpretação de Ezequiel 44.2, conforme cita Tomás de Aquino: 
Que significa a porta fechada na Casa do Senhor, senão que Maria sempre será intacta? E que significa a expressão ‘nenhum homem passará por ela’, senão que José não a conhecerá? E ‘só o Senhor entrará e sairá por ela’, senão que o Espírito Santo a fecundará e dela nascerá o Senhor dos anjos? E que significa ‘estará eternamente fechada’, senão que Maria será virgem antes, durante e depois do parto? (Suma Teológica, pág.3746).
Tal exegese carece de apoio bíblico.
3.2. Origem apócrifa.
Se esta doutrina católica romana não tem fundamentação bíblica, qual, pois, a sua origem? O erudito J. Stafford Wright responde: 
A idéia (da perpétua virgindade de Maria) aparece pela primeira vez no Proto-evangelho de Tiago (um apócrifo escrito provavelmente em fins do século 2d.C.), e, depois disto, surge em vários escritores, e.g. João Damasco (de fide Orthodoxa 4,15) e Bernardo (Sermo de Virginis Nativitate 4)  (Dicionário  Internacional de Teologia do Novo Testamento, Edições Vida Nova). 
Como vemos, o dogma que sustenta que Maria se manteve sempre virgem não se apóia nas Escrituras, mas na literatura apócrifa e na tradição. 
A Bíblia não fala da perpétua virgindade de Maria, como alegam os teólogos romanistas. Comenta Wreight: 
Esta doutrina presta homenagem à idéia da virgindade perpétua da Bendita Virgem Maria, mas enfrenta dificuldade na citação deliberada que Lucas faz de ‘todo primogênito que abre a madre de sua mãe’ (Lc 2.23 e Êx 13.2,12). 
Em palavras mais simples, a Escritura Sagrada contradiz essa crença católica. Um outro ponto a ser destacado é que, segundo a Bíblia, José, esposo de Maria, “não a conheceu [teve relações sexuais] até o dia em que ela deu à luz um filho. E ele o chamou com o nome de Jesus” (Mt 1.25). Após esse período, há várias referências bíblicas mostrando que José e Maria levaram a vida normal de um casal e geraram muitos filhos (Mt 12.46-47; Mc 6.3; Jo 2.12; 7.3-5). A esse respeito, a Bíblia de Jerusalém, que é uma das mais conceituadas versões católicas, comentando essa passagem, diz: “O texto não considera o período ulterior e por si não afirma a virgindade perpétua de Maria, mas o resto do Evangelho, bem como a tradição da Igreja, a supõem”. 
Há somente uma ressalva a se fazer a esse comentário da Bíblia de Jerusalém: “o resto do Evangelho”, ao qual faz referência, também não apóia essa crença. A desculpa católica romana para explicar quem são esses irmãos de Jesus, é que a palavra grega adelphos, usada nesses textos, significa na verdade “primos” e não “irmãos”. Dessa  forma, os irmãos do Salvador seriam na verdade seus primos. Essa idéia foi difundida por Jerônimo, mas basta uma consulta ao texto grego para verificarmos que ela não se sustenta.
      Em Colossenses 4.10, lemos: “Saúda-vos Aristarco, prisioneiro comigo, e Marcos, primo (gr. Anepsios) de Barnabé, sobre quem recebestes instruções; se ele for ter convosco, acolhei-o”. Nesse texto, Paulo, ao se referir ao primo de Barnabé, usa o termo  grego anepsios e não adelphos. O termo grego anepsios significa literalmente “filho da irmã” ou “primo”. É na tradição, na suposição, e não na Bíblia, que tal crença está alicerçada. 
3.3. Dogma da imaculada conceição de Maria.
O dogma da imaculada conceição de Maria é outro erro. Ele ensina que Maria nasceu sem pecado. A exemplo de Agostinho, Tomás de Aquino, cita Cantares 4.7 fora do seu contexto para provar esse dogma. O livro de Cantares fala do relacionamento entre um homem e uma mulher, e sempre foi visto como uma alegoria representando Cristo e a sua Igreja. Por que não é citada uma passagem clara do Novo Testamento para corroborar tal crença? Simplesmente porque não existe nenhuma. 
     Evangelho Árabe da Infância. É no livro apócrifo Evangelho Árabe da Infância que encontra-se tal ensino. No dia 8 de dezembro de 1854, o Papa Pio IX declarou como dogma a crença na imaculada conceição. A Igreja Católica Romana se esquece que, para Maria ser isenta de pecado, era necessário que seus pais também o fossem, e assim ad infinitum, o que contraria o texto bíblico que diz: “Todos  pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). A Bíblia é clara em afirmar que somente o Senhor  Jesus jamais pecou (1 Pe 2.22). 
O dogma da assunção de Maria também vai além de qualquer texto bíblico, ao afirmar que Maria subiu ao Céu em corpo e alma. As Escrituras afirmam, porém, que “ninguém subiu ao Céu, a não ser aquele que desceu do Céu, o Filho do Homem” (Jo 3.13). 
      Passagem da Bem-aventurada Virgem Maria. De onde vem mais esse ensino antibíblico? Mais uma vez da literatura apócrifa, como Passagem da Bem-aventurada Virgem Maria, um texto produzido no 4º século. Em 1 de novembro de 1950, o Papa Pio XII defendeu o dogma da assunção de Maria. Algum texto bíblico é invocado para corroborar essa crença católica? Não, apenas Tomás de Aquino, que cita Agostinho, que por falta de evidência bíblica usou de silogismos, e não a Bíblia: “Agostinho prova com razões que a Virgem foi assunta ao céu em corpo, o que, contudo,  não o diz a Escritura” (Suma Teológica, volume 8, pág. 3729). Não há nenhuma evidência bíblica que fundamente  esse ensino.
4. O que diz a Teologia Bíblica sobre Maria
Na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, temos um comentário sobre a pessoa de Maria, que resume bem o que diz a Teologia Bíblica acerca da mãe do Salvador:  
Evidentemente, a genitora de Jesus era da linhagem de Davi (Lc 3), sendo esposa de José e tendo sido declarada virgem quando da concepção e do nascimento de Jesus (Mt 1.18,23 e Lc 1.27). Não dispomos de informações abundantes acerca dela, sendo evidente que não manteve grande contato com Jesus durante o tempo de seu ministério público (...) parece algo indiscutível que Maria teve outros filhos e também filhas, conforme vemos com mais pormenores no trecho de Mateus 12.46,47. 
Maria estava em companhia de Jesus durante a sua paixão e morte, segundo vemos em João 19.25-27; e, momentos antes de Jesus expirar, foi entregue aos cuidados do apóstolo João”. 
[...] Acerca de Maria, mãe de Jesus, ninguém pode dizer mais do que fez sua prima, Isabel, a saber: ‘Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto de teu ventre’ (Lc 1.42). No tocante à vida de Maria, após a ascensão de Jesus, temos a breve observação de Atos 1.14, que a menciona, juntamente com os discípulos, entregue à oração. Porém, o que o Novo Testamento deixou sem contar, os evangelhos apócrifos e muitas lendas pias não tardaram em preencher, de tal modo que, no caso de outros personagens destacados na vida terrena de Jesus, grande acúmulo de material espúrio se desenvolveu em torno dela, embora boa parte desse material tenha sido acolhido como verdadeiro, especialmente nos círculos da igreja cristã ocidental (catolicismo romano), incluindo até mesmo a declaração de sua impecabilidade (a chamada doutrina da “imaculada conceição”, que não teria sido pecaminosa), e também a sua ressurreição e ascensão, conforme a natureza da experiência de Jesus.
Tais declarações lendárias, no entanto, não têm sido aceitas pela igreja cristã em geral, excetuando a igreja ocidental (romana) e a igreja ortodoxa grega, principalmente porque esses informes apócrifos não gozam de qualquer apoio por parte do próprio Novo Testamento e, por isso mesmo, embora talvez tenham sido escritos com intenções piedosas, são tidos como produtos da imaginação”.[7]
José Gonçalves da Costa Gomes – Ministro evangélico no Piauí, conferencista, articulista dos periódicos da CPAD, formado em Teologia e Filosofia, professor de grego, hebraico, Teologia Sistemática e Religiões Comparadas, membro da Comissão de Apologia da CGADB e autor da obra “Por que caem os valentes: análise bíblica e teológica acerca do fracasso ministerial” editado pela CPAD.