O Grande Amor de Deus

Seu canto fez com que aquilo acontecesse. Inicialmente, não notei; não havia motivos para que eu percebesse algo. As circunstancias eram comuns: um pai buscava a filha de seis anos em uma reunião de escoteiras. Sara gosta da associação de Escoteiros; ela gosta dos prêmios que ganha e do uniforme que usa. Ela entrou no carro e me mostrou seu novo distintivo e alguns biscoitos que havia acabado de sair do forno. Virei a rua, coloquei sua musica preferida e voltei minha atenção para questões mais complicadas que envolviam agendas e obrigações.
Mas pouco depois de entrar no labirinto do pensamento, voltei. Sara estava cantando. Cantando, sobre Deus. Cantando para Deus. Cabeça para trás, queixo levantado e pulmões cheios; ela enchia o carro de musica. As harpas do céu pararam para ouvir.
Aquela é minha filha? Ela parece mais velha. Parece mais velha, mais alta e até mais bonita. Será que dormi e perdi alguma coisa? O que aconteceu com as bochechas gorduchas? O que aconteceu com o rostinho e os dedinhos grossos? Ela está se tornando uma jovem. Cabelos loiros caem sobre seus ombros. Os pés estão balançando no banco. Em algum lugar, durante a noite, uma pagina foi virada e... – bem, olhe para ela!
Se você é pai ou mãe, sabe o que quero dizer. Ainda ontem, seu filho usava fraudas. Hoje, ele quer as chaves do carro? De repente, seu filho está na metade do caminho para ir para a faculdade e estão acabando suas chances de demonstrar seu amor por ele; e por isso você fala.
Foi o que fiz. A musica parou, e Sara parou. Eu ejetei a fita, pus minha mão no ombro dela e disse:
- Sara, você é muito especial.
Ela se virou e sorriu de modo tolerante.
- Algum dia, um rapaz de pernas peludas vai roubar seu coração e levá-la para o próximo século. Mas, neste momento, você é minha.
Ela inclinou a cabeça, olhou para fora por um minuto, depois olhou para mim novamente e perguntou:
- Pai, por que você está tão estranho?
Acho que essas palavras pareciam esquisitas para uma menina de seis anos. O amor de um pai ou de uma mãe soa estranho aos ouvidos de uma criança. Meu acesso de emoção estava alem da compreensão de Sara; mas isso não me impediu de falar.
Não há como nossa mente pequena compreender o amor de Deus; mas isso não o impede de vir ate nós.
E nós, também, inclinamos nossa cabeça. Como Sara, nos perguntamos o que o nosso Pai estava fazendo. Do berço em Belém a cruz em Jerusalém, pensamos no amor do nosso Pai. O que você pode dizer para esse tipo de emoção? Ao descobrir que Deus preferiria morrer a viver sem você, qual é a sua reação? Como você pode começar a explicar tal paixão? Se você fosse o apostolo Paulo, não poderia. Você faz afirmações; não dá explicações. Você faz algumas perguntas.
Essas perguntas não são novas para você. Você já as fez antes. À noite, você as fez; nos momentos de raiva, você as fez. O diagnostico de um médico as trouxe a tona, assim como a decisão no tribunal, o telefonema do banco e as tragédias incompreensíveis que ocorrem em nosso mundo. As perguntas são exames da dor, do problema e da circunstancia. Não, as perguntas não são coisas novas, mas talvez as respostas sejam.
Se Deus é por nós, quem será contra nós?
(ROMANOS - 8:31)
A pergunta não é simplesmente: “Quem será contra nós?” Você poderia responder a essa pergunta. Quem é contra você? A doença, a inflação, a corrupção, a exaustão. As calamidades confrontam e os medos aprisionam. Se a pergunta de Paulo fosse: “Quem será contra nós?”, poderíamos listar nossos inimigos com muito mais facilidade do que lutar contra eles. Mas essa não é a pergunta. A pergunta é: Se Deus é por nós, quem será contra nós?
Perdoe-me por um momento. Quatro palavras neste versículo merecem sua atenção. Lei lentamente a frase: “Deus é por nós”. Por favor, pare por um instante antes de continuar. Leia-o novamente, em voz alta. (peço desculpas à pessoa que está ao seu lado). Deus é por nós. Repita a frase quatro vezes, desta vez enfatizando cada palavra. (Vamos lá, você não está com tanta pressa assim!)
Deus é por nós.
 Deus é por nós.
 Deus é por nós.
Deus é por nós.
Deus é por você. Seus pais podem ter se esquecido de você, seus professores podem tê-lo ignorado, seus irmãos podem ter vergonha de você, mas ao alcance de suas orações está o Criador dos oceanos – Deus!
Deus é por você. Não “pode ser”, não “foi”, não “era”, não “seria”, mas “Deus é!” Ele é por você. Hoje. Neste momento. Neste minuto. Enquanto você lê esta frase. Não é preciso esperar em uma fila ou voltar amanhã. Ele está com você. Ele não poderia estar mais perto do que está neste segundo. A lealdade de Deus não será maior se você for melhor nem menor se você for pior. Ele é por você.
Deus é por você. Vire-se para a linha lateral; lá está Deus torcendo pela sua corrida. Olhe para a linha de chegada; lá está Deus aplaudindo seus passos. Ouça-o nas arquibancadas, gritando seu nome. Cansado demais para continuar? Ele irá carregá-lo. Desanimado demais para lutar? Ele o está levantando. Deus é por você.
Deus é por você. Se Ele tivesse um calendário, o dia do seu aniversario estaria destacado por um circulo. Se ele dirigisse um carro, seu nome estaria no pára-choque. Se houvesse uma arvore no céu, Ele gravaria seu nome em sua casca. Sabemos que Ele tem uma tatuagem e sabemos o que ela diz. “Eu gravei você nas palmas das minhas mãos” (Isaias 49.16).
“Haverá mãe que possa esquecer seu bebê que ainda mama e não ter compaixão do filho que gerou?”, pergunta Deus em Isaias 49.15. Que pergunta estranha! Você, mãe, consegue imaginar seu filho mamando e, depois, mais tarde, perguntar: “Qual era o nome dessa criança?” Não. Eu a vejo cuidar de seu filho. Você acaricia seus cabelos, toca-lhe o rosto, cantarola o nome dele repetidas vezes. Uma mãe consegue se esquecer? De modo algum. Contudo, “embora ela possa esquecê-lo, eu não me esquecerei de você!”, promete Deus (Isaias 49.15).
Deus está com você. E, sabendo disso, quem é contra você? A morte pode prejudicá-lo agora? A doença pode roubar sua vida? Seu objetivo pode ser levado ou seu valor diminuído? Não. Ainda que o próprio inferno possa se pôr contra você, ninguém pode derrotá-lo. Você está protegido. Deus está com você.
Aquele que não poupou seu próprio Filho, - mas
o entregou por todos nós, - como não nos dará
juntamente com ele, e de graça, todas as
coisas?
(Romanos - 8:32)
Imagine um homem que se depara com uma criança sendo espancada por delinqüentes.
Ele se atira no meio da confusão, salva o menino e o leva para um hospital. O garoto recebe cuidados ate se restabelecer. O homem paga o tratamento da criança. Descobre que a criança é órfã, a adota e lhe dá o seu nome. E então, certa noite, depois de meses, o pai ouve o filho chorando no travesseiro. Ele vai ate o filho e pergunta o motivo de sua tristeza.
- Estou preocupado, pai. Estou preocupado com o dia de amanhã. Onde vou conseguir comida para comer? Como vou comprar roupas para continuar aquecido? E onde vou dormir?
Com toda a razao, o pai fica preocupado.
- Eu não lhe mostrei? Você não entende? Arrisquei minha vida para salvá-lo. Dei meu dinheiro para tratá-lo. Você usa meu nome. Eu o chamei de meu filho. Eu faria tudo isso e depois não supriria suas necessidades?
Esta é a pergunta de Paulo. Aquele que entregou seu Filho não supriria nossas necessidades?
Mas ainda assim, nos preocupamos. Preocupamo-nos com a Receita Federal, com o vestibular e com a FBI. Preocupamo-nos com a educação, a recreação e com um resfriado. Preocupamo-nos com a possibilidade de não termos dinheiro suficiente e, quando o temos, nos preocupamos porque não estamos certos de que conseguiremos administrá-lo bem. Preocupamo-nos porque o mundo acabará antes de o parquímetro vencer. Preocupamo-nos com o que o cachorro pensará se ele nos vir quando estivermos saindo do chuveiro. Preocupamo-nos porque, algum dia, descobriremos que aquele iogurte light engordava.
Agora me diga honestamente: Deus salvou você para que você se preocupasse? Ele o ensinaria a andar só para vê-lo cair? Ele seria pregado na cruz por seus pecados e, depois, desprezaria suas orações? Vamos lá! As escrituras estão nos provocando quando dizem: “Porque a seus anjos Ele dará ordens a seu respeito, para que o protejam em todos os seus caminhos. (SALMOS 91:11)?
Não creio que estejam.
Quem nos separará do amor de Cristo?
(Romanos - 8:35)
Aí está. Esta é a pergunta. Aqui está o que queremos saber. Queremos saber até quando o amor de Deus durará. Deus realmente nos ama para sempre? Não só no domingo de páscoa, quando nossos sapatos estão lustrados e nosso cabelo arrumado. Quero saber (lá no íntimo, todos queremos saber, não é mesmo?) como Deus se sente em relação a mim quando sou um idiota? Não quando estou animado, confiante e pronto para lidar com a fome do mundo; nessa hora, não. Sei como ele se sente com relação a mim em momentos como esses – até eu gosto de mim nessas ocasiões.
Quero saber como ele se sente com relação a mim quando sou ríspido com qualquer coisa que se move, quando meus pensamentos são terríveis, quando minha língua está afiada o suficiente para cortar uma pedra. Como ele se sente em relação a mim nesses momentos?
E quando coisas ruins acontecem – Deus se preocupa? Ele me ama em meio ao medo? Ele está comigo quando o perigo está a espreita? Deus deixará de me amar?
Esta é a questão. Esta é a preocupação. Oh, você não diz; você nem pode saber. Mas eu posso vê-lo em seu rosto. Posso ouvi-lo em suas palavras. Será que exagerei nesta semana? Na ultima terça-feira, quando bebi vodca ate não conseguir andar... na ultima quinta-feira, quando meus negócios me levaram a um lugar que não tinha nada a ver... no ultimo verão, quando amaldiçoei o Deus que me criou enquanto eu estava em pé ao lado do tumulo do filho que Ele me deu?
Será que fui longe demais? Esperei demais? Falhei demais? Estava duvidoso demais? Com medo demais? Irado demais com a dor neste mundo?
É isso que queremos saber.
Quem nos separará do amor de Cristo?
Deus respondeu a nossa pergunta antes que a formulássemos. Para que víssemos a resposta, Ele iluminou o céu com uma estrela. Para que a ouvíssemos, ele encheu a noite de um coral. E para que crêssemos, ele fez o que nenhum homem jamais sonhou – ele se fez carne e habitou entre nós.
Ele pôs sua mão no ombro da humanidade e disse: “Você é muito especial”.
Sem estar limitado pelo tempo, Ele nos vê a todos. Desde o lugar mais remoto da Virginia ao centro empresarial de Londres; desde os vikings aos astronautas; desde os moradores de cavernas aos mestres-de-obras; Ele nos vê. Errantes e maltrapilhos, Ele nos viu antes de nascermos.
Ele ama o que vê. Transbordando de emoção, vencendo o orgulho, o Criador das estrelas se vira para nós, um por um, e diz: “Você é meu filho. Eu o amo muito. Sei que algum dia, você se afastará de mim e irá embora. Mas quero que você saiba que já estabeleci um caminho de volta”.
E para provar, Ele fez algo extraordinário.
Deixando seu trono, Ele tirou seu manto de luz e se revestiu de pele: da pele humana pigmentada. A luz do universo entrou em um ventre escuro e molhado. Aquele a quem os anjos adoram aconchegou-se na placenta de uma camponesa, nasceu na noite fria e, depois, dormiu sobre o feno destinado a uma vaca.
Maria não sabia se lhe dava leite ou louvor, mas lhe deu ambas as coisas, uma vez que Ele estava, ate onde ela podia imaginar, com fome e era santo.
José não sabia se o chamava de Junior ou Pai. Mas, no final, ele o chamou de Jesus, seguindo as palavras do anjo e reconhecendo não ter a mínima idéia do nome que deveria dar a um Deus que ele poderia embalar nos braços.
Nem Maria nem José foram tão diretos como minha Sara em suas palavras, mas você não acha que a cabeça deles se inclinou e a mente se perguntou: Afinal, o que você está fazendo, Deus? Ou, melhor: Deus, o que você está fazendo no mundo?
- Alguma coisa pode me fazer parar de amar você? – pergunta Deus. – Escuta falar a sua língua, dormir na sua terra e sentir as suas dores. Veja o Criador da visão e do som enquanto Ele espirra, tosse e assoa o nariz. Você me pergunta se eu entendo como você se sente? Olhe nos olhos alegres da criança em Nazaré; é Deus indo para a escola. Pense na criancinha a mesa de Maria; é Deus derramando o leite.
- Você se pergunta até quando meu amor durará? Encontre sua resposta em uma cruz cheia de lascas, em uma colina escarpada. Sou Eu, seu Criador, seu Deus, que você vê lá em cima. Transpassado por cravos e jorrando sangue; todo cuspido e molhado pelo pecado. É o seu pecado que estou sentindo. É sua morte que estou morrendo. É a sua ressurreição que estou vivendo. Isso é o quanto eu amo você.
- Alguma coisa pode nos separar? – pergunta o Filho primogênito. Ouça a resposta e firme seu futuro nas palavras de Paulo: “Estou convencido de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem demônios, nem o presente, nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Romanos 8:39).
Dias melhores virão  
 Max Lucado